Três pastores da Igreja Mundial do Poder de Deus foram presos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), acusados de tráfico internacional de armas. As prisões começaram a ser feitas no final da tarde de quarta-feira, num trabalho de rotina dos policiais no Posto Guaicurus, localizado no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Ao fazerem a vistoria no carro em que viajavam Sebastião Braz da Fonseca Neto, de 42 anos, e Felipe Jorge da Silva Freitas, de 33, os policiais desconfiaram do nervosismo deles e passaram a fazer uma série de perguntas.
Eles entraram em contradições várias vezes, o que aumentou a suspeita dos policiais. Numa vistoria mais detalhada do veículo, eles descobriram vários fuzis desmontados escondidos em fundos falsos nas portas e no banco traseiro.
As peças estavam embrulhadas em plásticos. Os fuzis, comprados na Bolívia, seriam levados para São Gonçalo, no Estado do Rio.
Ao todo, foram encontrados sete fuzis de fabricação americana, modelo M-15, de calibre 5.56, cujo tiro pode atravessar coletes à prova de balas. Ao receberem a ordem de prisão, Neto e Freitas informaram aos policiais que outro pastor estava em Campo Grande aguardando a chegada deles com as armas. Já era início da madrugada quando a PRF prendeu Francisco Ferreira de Moura, de 31 anos.
Igreja possui templos em morros do Rio Os três confessaram que receberiam R$ 20 mil para pegar as armas na Bolívia e entregá-las no Morro dos Martins, em São Gonçalo, no Rio. Eles, no entanto, só souberam informar os apelidos dos contatos no morro. No carro onde estavam Neto e Freitas, presos na rodovia vindos de Corumbá (cidade a 426 quilômetros de Campo Grande, na fronteira com a Bolívia, ainda no Pantanal), foram apreendidos também R$ 2,5 mil, que teriam sido entregues a eles pelo fornecedor de armas na Bolívia para o pagamento das despesas de viagem, além de R$ 4 mil que, segundo os pastores, foram arrecadado com fiéis em Corumbá e Ladário.
A Igreja Mundial do Poder de Deus possui templos em vários estados e em morros no Rio de Janeiro. Um dos pastores presos seria amigo de infância de um dos chefes do tráfico de drogas no Morro dos Martins, em São Gonçalo, cujo nome não foi revelado.
O material apreendido e os três presos estão na sede da Superintendência da Polícia Federal em Campo Grande, que vai tentar descobrir quem forneceu os fuzis e para quem eles seriam entregues.
Os policiais federais querem saber ainda se essa foi a primeira vez que o trio cometeu esse tipo de crime.